Rubens de Faria e Souza - Biografia

FILIAÇÃO

Júlio de Faria e Souza (Inspetor Escolar)
Isolina Quadros de Faria e Souza (Professora Primária)

NATURALIDADE

Nasceu na cidade de Anhembi, no estado de São Paulo, no dia 14 de março de 1909.

ESCOLARIDADE

Professor normalista pela Escola Normal de Casa Branca, recebendo seu diploma em 1° de dezembro de 1928.

Cirurgião dentista pela Escola de Farmácia e Odontologia de Ribeirão Preto, diplomado em 1932. (Não pretendia seguir a carreira de dentista. Apenas queria melhorar seu currículo com mais um curso).

ATIVIDADES NO MAGISTÉRIO

Em fevereiro de 1929, iniciou sua brilhante carreira no magistério como substituto na Segunda Escola Mista de Tabapuã-SP.

A partir daí, o Professor Rubens dedicou-se inteiramente ao magistério sem, contudo, descuidar-se do enriquecimento das estruturas de conhecimentos estabelecidos nos bancos escolares.

Nomeado professor primário em 28 de junho de 1929, sua primeira unidade escolar foi a Escola Masculina Rural do bairro da Cachoeirinha, no município de Casa Branca.

Exerceu magistério também nas localidades de:

  • Tapiratiba-SP (1930) – Grupo Escolar de Tapiratiba;
  • Itirapuã-SP (1931) – Segunda Escola Masculina Urbana de Itirapuan;
  • Batatais-SP (1932) – Grupo Escolar “Dr. Washington Luiz”.

Em 1934, em Sorocaba, é designado professor substituto das cadeiras de português, matemática, geografia e história do Brasil, da Escola Profissional de Sorocaba, criada em 30 de dezembro de 1921, posteriormente denominada Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

À vista do seu magnífico comportamento como professor e benemérito educador, aliado às excelentes qualidades pessoais, exerceu o cargo de Vice-Diretor substituto nos anos de 1936,1937 e 1939 da Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

Em maio de 1939, é designado professor de matemática no Curso de Ferroviários, anexo à Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

Em junho de 1939, é designado para exercer as funções de Vice-Diretor do Curso de Ferroviários, anexo à Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

Em fevereiro e dezembro de 1940, exerceu as funções de Diretor-Substituto da Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

Em maio de 1941, é efetivado no cargo de professor de matemática na Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba, ficando exonerado do cargo de adjunto do Grupo Escolar “Dr. Washington Luiz”, de Batatais.

Em novembro de 1941, é designado para exercer o cargo de Diretor da Escola Profissional Secundária Mista de Sorocaba.

Em outubro de 1942, é designado para exercer o cargo de Vice-Diretor da Escola Profissional Secundária Mista “Bento Quirino”, de Campinas.

Em janeiro de 1943, é designado para exercer o cargo de Diretor da Escola Profissional Secundária Mista “Bento Quirino”, de Campinas.

Em fevereiro de 1943, é designado para exercer o cargo de Diretor-Professor do Núcleo de Ensino Profissional de Pindamonhangaba (escola pequena com média de 80 alunos) onde em abril de 1946 passou a exercer, em comissão, o cargo de Diretor.
Quando o Professor Rubens foi para Pindamonhangaba, queria um pouco de sossego, pois a correria estava deixando-o atormentado.
Como a cidade era pequena, Rubens era visto como uma autoridade muito querida pela população.
No governo de Ademar de Barros, a verba destinada à escola foi cortada porque era anexa a Campos do Jordão. Com isso, o Núcleo de Ensino Profissional passou a receber somente os honorários do Estado, causando dessa forma, a saída do Professor Rubens da cidade.

Em abril de 1948, é nomeado para exercer em comissão o cargo de Diretor da Escola Industrial de Jundiaí, ficando exonerado do cargo de Diretor do Núcleo de Ensino Profissional de Pindamonhangaba.

Em fevereiro de 1950, por concurso, remove-se como professor de matemática para a então Escola Industrial “Dr. Antenor Soares Gandra", de Jundiaí.

Em março de 1950, é efetivado no cargo de Diretor na Escola Industrial “Dr. Antenor Soares Gandra”, de Jundiaí.
Quando o Professor Rubens chegou a essa escola, era um barracão de uma fábrica.
A cozinha encontrava-se em estado lamentável e os diretores da época não possuíam muito interesse pelas escolas.
Perante essa situação desagradável, o Professor Rubens não sossegou enquanto não arrumou a escola toda. Construiu um pátio para os alunos, quadra esportiva, reformou a cozinha, equipou o refeitório com mesas individuais para os alunos, organizou uma fanfarra, promoveu desfiles nas ruas em datas comemorativas.
Enfim, o Professor Rubens conseguiu levar vida à escola sem, praticamente, contar com verbas destinadas pelo Governo!

Em junho de 1955, é classificado em primeiro lugar, com 51,03 pontos, no concurso de remoção e promoção de diretores e vice-diretores, e em setembro do mesmo ano, remove-se da Escola Industrial “Dr. Antenor Soares Gandra”, de Jundiaí (onde permaneceu com sua esposa Ivete durante oito anos de sua vida), para a Escola Industrial “Bento Quirino”, de Campinas (onde permanece de um a dois anos, também com sua esposa Ivete).

Em setembro de 1957, o Diretor da Escola Industrial Bento Quirino de Campinas, Professor Rubens de Faria e Souza, aposentou-se em 1957, após trinta anos de efetivo exercício na carreira do magistério.

Na sua longa e brilhante carreira no Magistério, exerceu outras funções na área do Ensino Industrial Oficial do Estado de São Paulo:

  • Em 1948 e 1951, serviços administrativos nos Cursos Extraordinários de Continuação da Escola Industrial de Jundiaí;
  • Em 1956, serviços administrativos nos Cursos Extraordinários Noturnos da Escola Industrial “Bento Quirino”, de Campinas.
  • Em 1956, membro da Banca Examinadora do Concurso de Ingresso aos Cargos de Orientador Profissional, Professores e Mestres das Escolas Técnicas e Industriais do estado de São Paulo.

Após a aposentadoria, radicado definitivamente em Sorocaba, onde viveu até 1973, passou a lecionar administração Escolar no curso de Administradores Escolares do Instituto de Educação Estadual para Professores “ Dr. Júlio Prestes de Albuquerque”. Declarado estável nessa modelar casa de ensino, esteve em exercício até o seu falecimento.

OUTRAS ATIVIDADES

MEMBRO DE ENTIDADE DE CLASSE-Participou ativamente da diretoria do Centro de Professorado Paulista, sede regional de Sorocaba, nos cargos de tesoureiro e orador.

LAZER-Rubens gostava da maioria dos gêneros musicais, mas seu principal era o bolero. Quanto às atividades físicas, nunca possuiu interesse nelas. Na realidade seu compromisso era com o lado intelectual.

POLÍTICA-Não possuía grande envolvimento político, mas era fanático pelo assunto. Discutia política com razão e conhecimento de causa.

TRADUTOR-Dominando várias línguas, traduziu para o vernáculo, obras de autores franceses, ingleses e espanhóis. Conhecia também o italiano e nos últimos anos de vida dedicava-se ao estudo das línguas alemã e russa.

VIAGENS-Apreciava viajar. Conheceu o Brasil de norte a sul. Em 1939, visitou os países da bacia do Plata e outros da região andina. Em 1952, percorreu vários estados da vizinha nação dos Estados Unidos da América do Norte, colhendo novos conhecimentos no campo educacional.

ESCRITOR-Numa linguagem amena mas concisa, transpôs para o livro “Da Mantiqueira aos Andes” os hábitos, costumes e curiosidades vistos nos estados do sul do Brasil e nos países visitados.

JORNALISTA-Vibrante e idealista colaborou, por muitos anos, em vários jornais sempre defendendo a coletividade.
Das folhas em que mais atuou destacam-se:

  • Cruzeiro do Sul (Sorocaba);
  • Diário de Sorocaba;
  • Folha de Sorocaba;
  • Tribuna do Norte (Pindamonhangaba).

Nos jornais sorocabanos, suas colunas eram apreciadíssimas, salientando o sabor humorístico que colocava nas suas crônicas intituladas “Você Ouviu?” e a severidade com que apontava erros no “Pingos do Dia”(escrevia nessa coluna todas as irregularidades que encontrava na cidade de Sorocaba), colunas que manteve por longos anos em alguns jornais da cidade.

No Diário de Sorocaba, Rubens construiu uma grande amizade com o dono, Sr. Vítor de Luca, que acabara de vir de São Paulo para Sorocaba.

HOMENAGENS

Das homenagens recebidas em vida, as que mais o sensibilizaram foram:

  • A conferida pela direção I.E.E. “Dr. Júlio Prestes de Albuquerque” – Sorocaba. Diploma de Honra ao Mérito recebido a 15 de outubro de 1967, Dia do Professor, com reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao ensino e a Sorocaba como professor e educador.
  • Pela sua intensa atividade jornalística, foi declarado membro da Ordem dos Velhos Jornalistas e, em 3 de julho de 1971, foi-lhe outorgado pelo Governo do Estado de São Paulo o diploma e medalha de Honra ao Mérito.

INTIMIDADE

O Professor Rubens foi casado com a Sra. Ivete Paschoa de Faria e Souza e tiveram duas filhas: Ivonete Faria Monteiro (Formada na Escola “Dom Aguirre”- Inglês-Português) e Ivani Paschoa de Faria (estudou até o 2° ano de Psicologia em Campinas, mas por motivos de saúde ,dois anos após o falecimento de seu pai, não encerrou seus estudos).
Rubens teve três irmãos, dois homens e uma mulher (professora), dos quais hoje, somente um dos homens (que também lecionou, dirigiu uma escola e foi delegado regional) está vivo e reside na cidade de Campinas.

O ADEUS


O Professor RUBENS DE FARIA E SOUZA, faleceu a 19 de novembro de 1973 (Dia da Bandeira Nacional), em Sorocaba, cidade que muito amou e na qual usufruía a estima e do respeito por parte de um vasto círculo de amigos, colegas e alunos.
Apesar de não ser filho de Sorocaba, a esta cidade dedicou grande parte de sua vida e uma incansável capacidade de lutar pelos ideais da Educação.

ETE “RUBENS DE FARIA E SOUZA”

Com as menções e os elogios acima, o professor Sólon Borges dos Reis, Deputado Estadual, apresentou na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, no dia 4 de abril de 1974, o projeto de lei n° 31, dando a denominação do Centro Estadual Inter-Escolar “Professor Rubens de Faria e Souza” ao antigo Colégio Estadual Técnico Industrial de Sorocaba, procurando com isso, homenagear o nome digno do homem público que prestou inestimáveis serviços à coletividade e que merece ser perpetuado, tendo em vista a vida profícua de tão notável paulista.